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There will be a piece of paper taped to a pole announcing our departure. As if it were our last stronghold, taped at the four corners with clear adhesive tape; at the mercy of the sun, the rain, and any profane attacks.

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When we are young, we don’t pay much attention to this kind of information. It becomes invisible to those who still have so much to live for. But as the years go by, when we reach a certain point in life, we begin to take notice. Sometimes this is how we learn that neighbors or acquaintances we haven’t seen in a long time are no longer with us. And in this way, we are invited to pay our final respects.
In the city where I live, Coimbra, Portugal, the tradition of community announcements in physical form is still maintained—complementing the digital age. It is the responsibility of funeral homes to post this information in the area where the deceased lived.






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A morbid idea? Not at all. It’s about having the freedom of choice, being able to remain as anonymous as possible when everyone finds out that I’ve passed into eternity. It will be a self-portrait. See the photo below.

! [PORTUGUESE VERSION]
Édito funerário
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Eu admito que não é uma publicação com conteúdo feliz ou alegre. Mas tenho a consciência que a morte é a única verdade absoluta que conhecemos e, por isso, trato-a com naturalidade e com alguma reflexão. Esta série de fotografias que apresento para o concurso #monomad autenticam parte dessa reflexão.
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Haverá um papel colado a um poste a informar a nossa partida. Como se fosse o nosso ultimo reduto, colado nos quatro cantos com uma fita cola transparente; à mercê do sol, da chuva e de eventuais ataques profanos.
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Édito funerário é um boletim que informa o falecimento de alguém, é colado em locais específicos chamados editais ou painéis de anúncios publicitários, e postes de iluminação publica. Contém a identificação do falecido e familiares directos e a comunicação das cerimónias fúnebres: data, hora, local do funeral ou missa do 7º dia.
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Quando somos novos, não ligamos muito a este tipo de informação. Torna-se invisível aos olhos daqueles que ainda têm tanto para viver. Mas, com o avançar dos anos, quando dobramos a esquina da vida, começamos a dar alguma atenção. Por vezes é desta forma que sabemos que vizinhos, ou conhecidos, que não vimos há muito tempo, já não estão entre nós. E, dessa forma, somos convidados a prestar a ultima homenagem.
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Na cidade onde moro, Coimbra - Portugal, mantém ainda a tradição da comunicação comunitária em suporte fisico - complementando a era digital. Cumpre às agencias funerárias colocarem esta informação na zona onde residia o falecido.
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A cola ressequida denuncia espaço livre. De quem será o próximo édito funerário?
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Eu? Bem, a morte é uma verdade absoluta mas nunca sabemos quando é que essa verdade se revela. Por isso, enquanto estou bem, enquanto respiro e o coração bate, o melhor mesmo é já escolher a minha fotografia para o meu édito funerário.
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Ideia mórbida? Nada disso. É ter a liberdade de escolha, poder passar o mais anónimo possível na hora de todos saberem que eu passei para a eternidade. Será um auto-retrato, última fotografia.


